Marcella 1889
1889
Há algo no amor que se parece com magia, embora ninguém ouse dizer em voz alta.
Eu aprendi cedo que certas coisas não devem ser nomeadas — sentimentos, por exemplo, têm o hábito perigoso de crescer quando reconhecidos.
Meu nome é Marcela. E dizem que sou uma bruxa.
Não porque viram feitiços em minhas mãos, mas porque há silêncio demais em mim, e mulheres silenciosas sempre foram suspeitas.
Naquela noite, acendi três velas.
Não por ritual — ou talvez sim.
Pensei nele.
E isso, por si só, já era uma forma de invocação.
Porque amar alguém, descobri tarde demais, é permitir que essa pessoa exista dentro de você sem permissão.
E não há magia mais perigosa do que essa.

